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A Diferença Entre Copiar e se Inspirar


Se inspirar não é copiar. Durante a construção da nossa linguagem visual, no desenvolvimento do nosso estilo, na busca "da nossa fotografia" daquilo que "somos na foto" é inevitavel e até recomendável que nos inspiremos, busquemos referência de grandes mestres, de nosssos gurus na fotografia, sejam elas da mesma área ou não, de seu país ou não. Se inpirar é tomar uma ideia inicial como base, você entende o conceito e adapta para sua realidade fundindo com o seu estilo e a cara do cliente. Essa ideia inicial pode vir de algum fotógrafo famoso da sua área de fotografia ou até de um colega da própria cidade. Mas nesse processo cair no erro de copiar se torna fácil e tentador. Quando é uma coisa automática que acontece em cima disso, sem se prender as exatidões da original, isso é inspiração. Eu sou muito fã de um fotógrafo mexicano, o Fer Juaristi (http://ferjuaristi.com/).

Tenho ele como uma influência forte embora os estilos de fotografia sejam ainda bem diferentes (até porque eu não conseguiria copiar). Essa foi uma foto que eu vi dele:

(Foto: Fer Juaristi)

Na hora H de um ensaio meu lembrei do conceito, mas não lembrei da foto em si. Depois fiquei até chateado porque a foto saiu linda, mas poderia ser uma cópia e eu não a divulgaria por questão de princípios. Quando cheguei em casa e procurei a foto do Fer pra comparar eu entendi que aquilo era inspiração! Não foi uma cópia, mas um conceito parecido adaptado para mim que resultou em uma foto diferente.

(Foto: Rafael Peixoto) A inspiração vem também de tudo aquilo que nos alimenta artisticamente. Filmes, clipes, viagens, fotos, livros e até música influência no resultado do clique.

Muitos fotógrafos falam para os outros fotógrafos de casamento: "Não vejam fotografia de casamento!" Muitos acabam vendo fotojornalismo de guerra, pinturas ou outras coisas. Eu particularmente me amarro na fotografia de rua, clipes musicais e depois vem várias outras coisinhas.

E sim, na hora de fotografar um casamento ou um ensaio a referêcia simplesmente brota, mesmo que inconscientemente. Alimentar o repertório visual é importante.

(Foto: Fer Juaristi)

(Foto: Rafael Peixoto)

Essa foto, apesar de eu ter repetido ela estar girando e ele parado, continuo considerando inspiração. A expressão, a disposição do casal na cena, a composição e a luz estão bem diferentes passando uma outra mensagem.

Sinto que posso dizer: "Essa foto é minha!"

A cópia por si só não é ruim, mas é tentadora e pode se desviar do caminho muito facilmente. Copiar com o sentido de aprender não é problema. Acho até interessante como forma de exercitar e absorver conceitos. Dentro de uma foto, pode ter vários conceitos abordados, tanto de luz, composição, direção, tratamento... Quando esses conceitos são absorvidos, junto com outros conceitos e outras referências, essas passam a fazer parte de seu arsenal de técnicas e seu conhecimento pode ser usado da maneira que você quiser.

(Foto: Fer Juaristi)

(Foto: Rafael Peixoto)

Nessa foto eu copiei descaradamente olhando ela no celular e tentando repetir apenas porque achei uma foto "muito louca" e queria saber como fazer. A foto foi enviada para o casal, mas nunca divulguei. (O fundo está diferente só por uma impossibilidade do dia)

Se vamos copiar assim para aprender, guardar pra gente ou no máximo enviar para o cliente, ok! Mas divulgar, como se fosse seu, nem pensar!

A cópia sempre será um "wannabe" Algo que era pra ser mas não chegou lá;

Alguém querendo ser famoso as custas das ideias do outro; Uma atitude de roubo de uma propriedade intelectual. A cópia mata a arte, e definha a criatividade. Transforma o fotógrafo em um repetidor ao invés de um artista. Inspiração temos que ter quase em tudo, copiar é outra coisa.

Inspirem-se! ;-)

Ps: Todas as referênias que coloque aqui são do Fer Juaristi, mas claro que ele não é minha única referência, apenas foi mais conveniênte pra escrever esse texto. Ps²: Esse texto também é inspirado em discussões passadas.

#CópiavsInspiração #Cópia #Inspiração #ética

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