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Henrique Resende


Foto: Jack Bones

Hoje é dia 12 de maio. Saí há duas horas da primeira turma do meu curso sobre Tratamento de Imagem. Preciso que você se localize no tempo, porque alguns dias haverão se passado desde que estive aqui. Estou num quarto de hotel no centro de Belo Horizonte e tive uma crise de ansiedade minutos atrás, então peço perdão caso as palavras se confundam e as ideias se misturem – ou, na pior das hipóteses, façam sentido só para mim, que tenta escrevê-las.

Decidi tentar dar um passo de cada vez – como um pássaro, que pula em passos pequenos para depois alcançar voo. Minha cabeça idealiza demais para o pouco que tenho coragem de executar, então existe aqui dentro um acúmulo que, se estivéssemos falando de casas, seria o quarto da bagunça. Ser fotógrafo e conviver com depressão e ansiedade frequentemente transforma esse cômodo espiritual numa sala de tortura, porque lidar com a familiar sensação de fracasso é como ficar nu em frente ao espelho e encarar os próprios monstros, as próprias limitações.

Idealizo editoriais e não os fotografo. Escrevo projetos e não consigo tirá-los do papel. Estabeleço metas e não as cumpro. Varro os "daqui a pouco eu faço" para baixo do tapete e tento me convencer de que eles não estão lá. Quando dou por mim, em vez de concentrar a energia em limpar a sujeira acumulada, fico fazendo força para mantê-la escondida. Assim começam as crises.

O Tratamento de Imagem é a mão que eu estendo a mim mesmo durante esses momentos. Antes, sentar em frente ao Photoshop era meu exercício de alívio. Agora, ensinar Tratamento de Imagem é meu exercício de superação. Preciso fotografar editoriais e escrever projetos e estabelecer metas. Planejar cada turma é também um exercício de coragem e reconhecimento pessoal. Agora, mesmo estando exausto e sem voz depois de oito horas de curso, consigo me deitar e ligar a Netflix sabendo que a bagunça embaixo do tapete está, em pequenos passos, ficando mais arrumada.

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