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Percepção na Fotografia | Por Júlia Sciamarella


Entendendo padrões de interpretação do cérebro, através da Gestalt aplicada em fotografias.

Júlia Sciamarella Apaixonada por design, gatos e recentemente por café. Sócia cofundadora do Que Haja! Não consegue parar de ler um livro depois que começa, mesmo achando o livro muito ruim.

Fazer um projeto, seja ele de fotografia, design, ilustração ou qualquer outra área criativa não é fácil. Acredito que é porque somos pressionados a produzir algo que transmita uma mensagem de significado impactante e ao mesmo tempo de forma criativa, original e única. Independente do trabalho ser comercial ou não, a verdade é que sempre queremos expressar algo através dele. Toda obra quer comunicar uma mensagem.

men·sa·gem: (francês message) • substantivo feminino "mensagem", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/mensagem [consultado em 13-07-2017].

(…) 7. [Linguística] Conjunto de signos, organizados de acordo com um código, transmitido por um emissor a um receptor, através de um determinado canal de comunicação.

Talvez uma das maiores preocupações em nossos trabalhos seja: Nossa imagem vai funcionar? Vai comunicar o que foi proposto?

Em primeiro lugar é bom garantir que ela (1) chame atenção o suficiente e se destaque do todo e (2) que seja entendida de forma correta por quem dedicar o seu olhar. Por mais óbvio que possa parecer, não se trata de uma tarefa fácil. Afinal, cada um tem uma percepção de mundo particular, que é moldada através da nossa cultura, vivência, valores etc. Dito isto, como podemos influenciar a percepção da nossa audiência a interpretar uma determinada mensagem?

"Qualquer imagem produzida é, de certa forma, incompleta, pois depende da interpretação do leitor.” - Umberto Eco, 1968.

Essa questão é central e foi amplamente estudada por psicólogos alemães no início do séc. XX. Eles observaram que as obras de arte tinham uma capacidade icônica (ou seja, muito eficaz) de comunicar um sentimento/mensagem e ficaram intrigados se havia um padrão que pudesse ser destacado e servisse para entender melhor o funcionamento da percepção no cérebro humano.

Eles descobriram que sim, existem formas de interpretar previsíveis do cérebro e listaram uma série de fundamentos. Com isso, fundaram a teoria da Gestalt, ou psicologia da forma. E por que isso é importante? Simples, se existem padrões previsíveis na interpretação humana, nós, enquanto criadores de imagens, podemos estudá-los e usálos a nosso favor na criação de um projeto.

A Gestalt, ou psicologia da forma, é uma teoria que afirma que para perceber as partes, formamos a ideia de um “todo”. Existem padrões visuais que fazem com que nós, humanos, interpretemos as formas como mais pregnantes. Interessante, né?

Meu objetivo com esse texto é justamente pincelar os fundamentos da Gestalt, para que vocês possam perceber e aplicar em suas imagens, afinal, não seria maravilhoso se as nossas produções recebessem mais olhares e por mais tempo?

Vamos aos fundamentos:

1- Figura-Fundo. Resumidamente, trata-se da tendência do nosso cérebro de perceber imagens ambíguas ou complexas como uma figura simples e completa.

1- Vaso de Rubin, o exemplo clássico. O que você viu primeiro, o vaso ou os rostos?

Um exemplo super maneiro de uso da Figura-Fundo foi a campanha de adoção da World for All, desenvolvida pelo Diretor de Arte Pranav Bhide e o fotógrafo Amol Jadav. Reparem como a produção foi super barata e como o resultado foi impactante:

Se quiserem saber mais sobre a campanha e seus resultados: https://goo.gl/WfVXo6

2- Continuidade:

Continuidade é quando atribuímos um significado “de todo" aos elementos separados.

2- Nosso cérebro entende uma linha e não várias unidades de bolinhas separadas.

3- Fechamento:

Fechamento é quando nosso cérebro completa sozinho a imagem incompleta. Neste caso, deixamos a imagem com limites em aberto propositalmente, a fim de torná-la mais atraente.

Uma aplicação desse fundamento é a campanha da Coca-Cola chamada “Together”. Assinada por ninguém menos que David LaChappelle, a campanha tinha como objetivo celebrar os 100 anos da garrafa, através de várias referências fotográficas a embalagem, à marca, aos grafismos através de mãos de diferentes etnias. Vejam só:

Assista o vídeo completo da campanha AQUI.

4- Semelhança

O princípio da semelhança é mais simples: tendemos a agrupar objetos semelhantes. Essa semelhança pode ser pela forma, cor, textura, tamanho etc.

As vezes o princípio da semelhança pode ser propositalmente “quebrado”, para que a gente influencie o observador a prestar mais atenção justamente na figura que se destaca do conjunto.

5- Pregnância

A pregnância também pode ser entendida como a lei da simplicidade da imagem ou da estrutura. O princípio é que tendemos a achar algo mais interessante quando compreendemos do início ao fim sua forma e/ou estrutura completa.

Exemplo:

fonte: https://goo.gl/r4vAdZ

Esses são alguns dos princípios da Gestalt aplicados de forma prática. Se quiserem analisar mais estudos de caso, especificamente com exemplos em fotografias, indico esta matéria (http://blogweddingbrasil.com.br/a-gestalt-na-sua-fotografia/) do blog wedding brasil. 
 E ai, o que acharam da Gestalt? Já aplicaram esses conceitos em trabalhos (consciente ou inconscientemente)? Comentem aí! :D

#fotografia #foto #imagem #percepção

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