Buscar
  • Fernando Borges

Maria Madalena | 1º dia de Happy Hour


O primeiro dia de Happy Hour do Lampião 2018 contou com a primeira e única [esperamos que isso mude, RISUS] apresentação da Drag Maria Madalena. Os nossos Conferencista vibraram e cantaram junto ao som de Machika da Anitta. Foi incrível ver todos curtindo junto com a Maria Madalena enquanto ela se concentrava em não errar a coreografia.

E é por isso que resolvemos contar um pouquinho de como ela nasceu. Você deve está se perguntando o porquê do nome. Fernando conta que escolheu "Maria Madalena" porque queria questionar o que é santo para as pessoas. O início da apresentação foi marcado por um vídeo que estava nos nossos telões, no qual mostrava um pouco de como é o mundo LGBT no Brasil e seguido da pergunta "O que é santo para você?".


Separamos o relato feito por ela para contar essa história:

"Minha roupa era vermelha, a roupa dos staffs eram vermelha. Eles estavam com a máscara do Dali e aquilo já anunciava que algo iria acontecer. Naquela hora tudo ficou tenso, eu acabei sentindo falta do olhar da galera que era a minha confiança, que sabia de todo o processo, não tinha pra quem olhar. Estava nervoso, tremendo, tenso, com medo de virar o pé, errar a música que ensaiei por meses. Mas na verdade o maior medo era o de reprovação. Eu estava ali, e na beirada do palco eu encontro duas amigas de outro contexto de vida, da igreja e aquela hora meu c* fechou. Mas continuei, segui. Durante a entrada passava o vídeo mais impactante do rolê, algo que fazia o sentido da drag, que deixava de ser entretenimento pra ser um ATO POLÍTICO, o nome da drag é Maria Madalena, não como um herege, mas eu queria questionar o que é santo pras pessoas. No vídeo mostrava as reportagens onde os gays eram espancados, assassinados e sofriam por ser o que eles não escolhem ser. Minha mão suava.

Na entrada passava um filme na minha cabeça. Toda a dolorosa construção pra chegar ali e quebrar a barreira do medo, do preconceito, das crenças, dos impedimentos religiosos e dos julgamentos. Eu estava exausto da montagem e de todo o dia, mas a energia dos meus amigos que estavam no cordão da entrada me fizeram ficar mais confiante mesmo com todas as máscaras. Eu sabia que eles estavam ali comigo e ansiosos comigo. Me lembro de quando estar em cima do palco, antes de começar, eu gritei pra Arthur e Agnis (os dançarinos que toparam a loucura comigo) “vamos arrasar caralho” é aquela hora foi hora de me divertir!

Subindo no palco tinham as manas ali que foram montadas pra me dar energia positiva. Eu tinha pedido ao Amaro Junior pra me ajudar e ficarem na entrada, pra que eu não me sentisse sozinho. Esse apoio foi essencial! Quando cheguei na ponta do palco vi que elas estavam lá!! Eu consegui ver a Kamilla Albino que me fez ficar mais seguro pra subir e cumprir a missão, era a única que eu identifiquei.

Soltei a parte da saia que fazia a roupa parecer um “manto” e fui! Com medo mesmo, mas fui! Confesso que a ENORME gritaria me ajudou a ir com tudo. Gente, me arrepio a cada foto.

Em todo o processo eu sempre soube que não era só estético. Eu enfiei a cara pra estudar e fazer algo com raizes. A ideia era que eu conseguisse revisitar minha infância e pudesse me permitir a todos “isso é de menina”. Por apenas um dia. Um “detalhe” gritava na minha cabeça: TODA minha família estava ali. E todos meus amigos também. Mas na hora de subir no palco, bateu uma confiança que nunca tinha batido, eu comecei a rir por baixo da máscara a galera começou a gritar TANTO que eu me permiti. Agnis e Arthur arrasaram pra caralho! Foram meses de ensaio onde eu nunca fazia tudo, nem na frente deles, por vergonha. De fato, tudo que rolou só rolou na hora mesmo.

Drag. É personagem. Não tem nada a ver com orientação sexual ou gênero. É como um ator representar um palhaço por exemplo. É arte. É por um tempo, depois que lavar, sai tudo. Essa é a teoria, porque na verdade tem MUITO de mim nela, tem todos os meus exageros, todas minhas repressões, tudo que eu não posso ser. Só que por minutinhos. E a drag, por exemplo, foi pra mim uma experiência pontual. Inclusive, peço permissão a todas as drags que sempre põem a cara a tapa.

Queria dizer que o mais difícil não foi dançar, também não foi a máscara que prendia minha respiração, muito menos a peruca que além de me machucar me deixou com uma entrada careca até aprender a colocar, não foi aprender a andar num salto enorme como se estivesse de havaiana, muito menos ficar com o pinto aquendado preso embaixo de várias meias e calcinhas. O mais difícil foi estar na frente das pessoas, com medo dos julgamentos. A todo tempo eu procurava defeito no meu corpo enquanto ensaiava, eu ficava me criticando. Antes de acontecer de fato eu fui a estruturas buscar aprovação e não tive em todas. Responder que era só um personagem foi uma saída. Mas é isso. No final tudo deu muito certo, foi de fato incrível, eu me surpreendi, e sobre a aprovação dos outros, eu nem procurei saber o que acharam. É isso, até quem sabe um dia Maria Madalena, vê se não some 💘"

Ficha técnica:

Coreografia: Leon Jackson no Tríade - Studio Coreográfico

Figurino: Atelier Wyster Marins

Maquiagem: Gabi Albernaz

Apoio: Felipe Monda

Vídeo de abertura: Igor Jones

Bailarinos: Athur Fernandes e Agnis Silva

Depois desse relato de tirar o folego, separamos algumas fotos, se liga:




Fotos: Silvia Jardim






Fotos: Isabella Campos





Fotos: Xamin





Fotos: Isabella Campos


37 visualizações