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Click ansioso

Na minha caminhada como professor eu observo um hábito ruim nos alunos ansiosos e em seguida me observei tendo feito exatamente isso por muito tempo (a real é que até hoje me percebo assim). Queria trazer aqui pra vocês uma reflexão sobre a ansiedade e a fotografia e como me percebo dentro disso. A partir da fala do H.Cartier Bresson “momento decisivo” já começo a propor uma reflexão.


A fotografia digital nos dá uma falsa impressão de infinitude de cliques, mesmo que a gente estude e veja que ela tem uma vida útil. Sem ser filme nos dá uma liberdade, que é ir clicando e pensando durante a ação. Fazendo, corrigindo e repetindo. Parece ok, mas não é!


Na maioria das vezes observo em mim e nos alunos com ansiedade que não há um respiro, um planejamento, um descanso no olhar através da câmera. Às vezes o clique se vai pelo desespero e é conferido o resultado depois. Resultado também de um cartão com 600 cliques e poucas fotos realmente boas. A maioria é quase lá, pois o clique foi ansioso e saiu coisa de segundos antes ou depois do melhor momento (considero esse o problema mais irreparável).


Não só a execução da foto é atravessada pela ansiedade, mas o pós também, começando com a curadoria que também se torna uma dificuldade, muitos cliques da mesma cena e não se lembra mais qual foi o “clique perfeito’ no meio de tanta tentativa, logo se retrocede em qualidade e quando vai perceber já está publicado.


Dentro da pós execução de uma fotografia temos as redes sociais que hoje em dia confundem muito os processos de criação, hoje em dia parece inválido a produção artística do audiovisual se não tiver atrelado a publicação online daquele conteúdo, é importante pensar nisso mas não pode ser o único objetivo, ou pode também afinal as pessoas são assim mesmo. Mas entra uma reflexão sobre o comercial que conflita com o artístico. Já se cria pensando em engajamento ou se cria pra ter engajamento? Ai já cabe uma outra matéria no blog hahah.


Resumo desses devaneios e pensamentos soltos e arrumados num texto simples, te convido a analisar de forma prática isso que falei acima:



Nesse exemplo você nota a esquerda a foto que deu “errado” e a direita a foto que deu “certo”.

A da esquerda foi após a montagem dos elementos ter dado muito trabalho pra executar, a luz artificial (bastão de led) não estava dando certo naquele dia eu já tava perdendo a paciencia, pela primeira vez ao observar onde a ansiedade me atrapalha nesses processos eu resolvi parar e reiniciar no dia seguinte com a luz do sol, que já é o exemplo da direita onde é o resultado que eu esperava. Foi bem satisfatório dar voz a calma e o planejamento.



Nesse exemplo é que mais observo nos alunos, sempre dar por concluído uma foto que se tem a aprimorar, por pressa, por nervosismo, por impaciência, pra ir logo pra próxima cena, não sei… Mas aprendi a parar e analisar a arte e curtir o processo, então nesses momentos vale a pena demorar ali e ver o que se pode aprimorar, nesse caso pra mim GRITA a diferença, principalmente a maçaneta escondida e o abajur descolado.


Obrigado por ter lido até aqui ahaha, sei que isso hoje em dia é difícil, mas te convido a respirar antes de fotografar, pensar antes de clicar, relaxar antes de editar e refletir se precisa postar. O recomeço de uma pandemia não é só econômico!

Texto escrito por Fer Borges


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